25 março 2007

Espanha é o 5º país mundial em redes de franchising

Segundo um estudo apresentado pela Consultora "Tormo & Associados", o mercado espanhol de marcas de franchising, é pelo terceiro ano consecutivo, líder europeu. Espanha ocupa o quinto lugar a nível mundial no que diz respeito a redes de franchising, com 968 marcas a operar no mercado, mais 7% do que em 2006 (902). Acima de Espanha, encontra-se a China (2.100 redes), Estados Unidos (1.500), Japão (1.088) e Brasil (971). No total, Espanha tem 68.775 establecimentos franchisados, que a colocam no quinto lugar do ranking mundial. Para além disso, continua a ser pelo terceiro ano consecutivo líder mundial de marcas europeias. A facturação dos franchisings espanhóis atingiu os 19.585 milhões de euros, ocupando o oitavo lugar mundial, uma lista encabeçada pelos Estados Unidos.
Paralelamente, o número de cadeias de franchising estrangeiros cujos planos de expansão englobam Espanha, aumenta de ano para ano, assim como o número de empresas nacionais que apostam na internacionalização.
Neste estudo, a consultora destaca o crescimento do sector um ano mais, em número de cadeias de franchising, estabelecimentos franchisados, facturação, investimento e emprego.
O sector do franchising espanhol encontra-se numa fase sólida e estável, contando com cerca de 150 cadeias de franchising plenamente consolidadas, as quais possuem mais de 50.000 estabelecimentos, aumentando em cada ano o número de novos projectos. Só em 2006, foram criadas 244 novas redes de franchising.
Outra das conclusões do estudo, é de que o sector dos serviços continua a ser o mais dinâmico com a criação permanente de novos nichos de mercado, agrupando uma ampla oferta de marcas, dispondo de um total de 453 redes e 38.752 estabelecimentos. Seguem-se o sector do Retalho, com 368 cadeias que operam através de 22.824 estabelecimentos e Hotelaria e Restauração com 7.199 establecimentos franchisados e 147 redes de franchising.
Do total de cadeias do sector, apenas quatro Comunidades Autónomas congregam 80% do mercado. Madrid lidera o ranking -com 304 cadeias de franchising e 15.629 establecimentos franchisados, seguida por Barcelona, com 237 cadeias e 13.990 establecimentos franchisados, Andaluzia e a Comunidade Valenciana, ambas com 103 cadeias de franchising e 9.903 e 7.312 establecimentos, respectivamente. A maioria das empresas de franchising a operar no país são de origem nacional, 81% do total, enquanto que as restantes (19%) são oriundas de vários países, com maior presença dos E.U.A., França e Itália. Por seu lado das empresas criadas este ano (244), 24 destas são de origem internacional, especialmente da EE.UU (7), França (4), Itália (3), Suécia (3), Portugal (2), Suiça (2), e Reino Unido (1), entre outros.
Cerca de 15% das marcas espanholas já se internacionalizaram. O que se traduz, segundo um estudo anual elaborado em 2006 pela empresa "Franquicias Hoy", num total de 132 marcas espanholas a operar em 98 mercados internacionais. Este número concentra-se sobretudo no conjunto dos 26 países pertencentes à União Europeia (sem contar com Espanha), onde existem 108 redes de franchising e um total de 3.639 establecimentos repartidos por 26 países do Velho Continente. Embora, devido à sua proximidade geográfica e similitude cultural, Portugal, França e Itália, continuem a ser os destinos preferenciais da internacionalização espanhola.
Tal como Espanha também Portugal deve apostar na internacionalização dos seus conceitos de negócio para Espanha, sendo este mercado fundamental no processo de desenvolvimento dos conceitos portugueses de franchising. Com uma facturação total neste sector de 19.585 milhões de euros, Espanha é o país que apresenta o maior nível de crescimento ao nível do mercado de franchising.
http://mercadoespanhol.blogspot.com/2006/10/empresas-franchisadas-apresentam.html

Fonte: "Revista Capital/ MADRID", 23 de Março de 2007.

22 março 2007

Reino Unido e Espanha concentram maior número de projectos turísticos

O Reino Unido e a Espanha concentram quase metade das unidades hoteleiras europeias em projecto nos próximos três anos, onde estão previstos 513 novos estabelecimentos hoteleiros, segundo noticiou o “site” de turismo Hosteltur. Do total dos hotéis previstos, 224 unidades estarão situadas no Reino Unido e em Espanha, de acordo com a análise realizada pela consultora Lodging Econometrics (LE). A Inglaterra tem previstos 147 hotéis, já em consequência dos Jogos Olímpicos que se realizarão em Londres em 2012. Já Espanha, tem em curso 74 projectos. A construção dos 513 projectos irá pressupôr a criação de mais 93.669 quartos na Europa, de acordo com o mesmo estudo. O presidente da consultora LE, assegura que após uns anos de crescimento modesto, a região está a beneficiar da expansão da economia global, da disponibilidade de capital para investir e de uma indústria de turismo em crescimento, que agora aproveita para expandir ao máximo o seu capital. Paralelamente, a taxa de ocupação hoteleira também tem vindo a aumentar, assim como o número de camas disponíveis, o que demonstra que a Europa tem um clima de investimento atractivo, o qual está a provocar alguma agitação no sector da indústria hoteleira.

Fonte: "Câmara de Comércio e Indústria Luso-espanhol", (CCILE), 22 de Março de 2007.

16 fevereiro 2007

À conquista do mercado espanhol - 2005

A performance de Portugal no “mercado ibérico” tem de ser vista em termos do impacto no PIB e no rendimento nacional, focando todas as atenções na competitividade e na quota de mercado dos produtos e serviços portugueses. Mais precisamente, trata-se de aumentar as exportações para Espanha, de cativar os turistas espanhóis e de atrair investimento produtivo espanhol para Portugal

A Espanha tornou-se no nosso maior fornecedor, com cerca de 30 por cento das nossas importações e é também o nosso maior cliente, com 30 por cento das nossas exportações.

No entanto, o défice comercial Portugal-Espanha tem-se agravado, representando 5,0 por cento do PIB português em 2004. Para a Espanha, Portugal é apenas o 3º mercado europeu em termos de exportações, depois da França e da Alemanha, mas o primeiro em termos do saldo comercial, que acresce 1,0 por cento ao PIB espanhol.

O défice comercial

A taxa de cobertura do comércio de mercadorias que era superior a 58 por cento em 1991, desceu abaixo de 40 por cento em 2001, mas recuperou para 47 por cento até 2004. Esta degradação era previsível já em 1986, dado o impacto das economias de escala na afectação dos benefícios de uma união alfandegária. No entanto, é urgente tomar medidas para reforçar a recente inversão que é sobretudo conjuntural e que tem a ver com o diferencial de crescimento. Considerando a dimensão do mercado espanhol, quatro vezes maior que Portugal em população e seis vezes maior em compras, as exportações portuguesas continuam muito aquém do potencial.

O turismo pouco contribui para compensar este défice comercial, apesar do volume de turistas espanhóis ser cerca de quatro vezes o de turistas portugueses em Espanha.

O contributo do investimento directo também sofre de algumas assimetrias estruturais. O que importa para o PIB é a atraccão de importantes investimentos espanhóis de raiz que possam contribuir para o valor acrescentado nacional. Mas os investimentos “greenfield” escasseiam entre 3.000 empresas com capital espanhol em Portugal. Estas consistem mais em aquisições no sector financeiro e de distribuidoras e comercializadoras de produtos espanhóis.

O investimento directo português em Espanha pode ser “instrumental” para fomentar mais exportações e criar mais valor acrescentado nacional ao acercar os nossos produtores cada vez mais do consumidor espanhol. Satisfazer melhor o cliente espanhol não tem que implicar a deslocalização da produção para Espanha. Segundo o ICEP Madrid, os negócios portugueses em Espanha são maioritariamente B2B e caracterizados pela subcontratação ou a venda através de agentes e distribuidores locais que controlam o acesso ao cliente final. Seria importante investir a longo prazo, para fazer chegar as marcas e as mensagens dos fornecedores portugueses directamente aos consumidores espanhóis, através de redes de distribuição próprias.

Algumas empresas já investiram em produtos, marcas e redes comerciais apropriadas para o mercado espanhol. Mais interessante ainda é a experiência de agregação sectorial dos exportadores para ganhar massa critica e economias de escala. O êxito comercial em Espanha tem de ser visto como a prova real para os produtos ou serviços portugueses com ambição internacional. Assim, um bom conhecimento do mercado espanhol, em toda a sua exigência e complexidade, pode ser o principal determinante de sucesso a longo prazo. Seria caso para perguntar, onde está El Corte Inglês português?

... E do conhecimento do mercado

O êxito comercial das exportações espanholas em Portugal baseia-se num forte conhecimento do mercado português. Neste domínio de marketing internacional, os espanhóis aproveitam e optimizam as economias de escala, recorrendo aos apoios do ICEX e às suas associações empresariais, câmaras de comércio e universidades. Para os fornecedores portugueses, as (des)economias de escala são ainda mais determinantes nos estudos de mercado, na criação de marcas e redes de distribuição e logística e na recolha e tratamento de informação de clientes. Este investimento no grande mercado espanhol pode ser colectivo, pelo menos a nível sectorial. Os maiores rivais no mercado doméstico necessitam de colaborar fora de portas.

Tal como acontece a alguns outros países pequenos, Portugal tem um vizinho mais rico, mais dinâmico, mais pujante e muito maior. Reconhecendo que não é fácil penetrar o mercado espanhol, cabe-nos alinhar esforços e mobilizar energias para conquistar esse mercado. Isto exige um forte empenho desde a formação nas universidades, ao ICEP, às empresas, aos bancos, e sobretudo às associações empresariais. É urgente tornar a ameaça numa oportunidade, começando por conhecer melhor o cliente espanhol para vender mais em Espanha.

Mariana Abrantes de Sousa, economista
2005

Governo chinês vai apoiar investimento em Portugal

O governo chinês vai encorajar as empresas chinesas a investir nos sectores de ponta da indústria portuguesa, como tecnologias de informação, segundo revelou a "Nova China", agência noticiosa oficial chinesa. Durante um encontro com José Sócrates, um alto responsável do "PCC" (Partido Comunista Chinês) referiu que espera que o "PCC" e o "Partido Socialista Português" possam reforçar os intercâmbios e a cooperação. Este revelou que o governo chinês vai apoiar empresas chinesas que desejem investir em Portugal nos sectores da logística, tecnologias de informação e nas indústrias automóvel e electrónica. Por outro lado, o primeiro-ministro chinês assegurou que a China está empenhada em aprofundar as relações comerciais e económicas com Portugal. Os responsáveis dos ministérios das Finanças da China e de Portugal assinaram um memorando de entendimento para abertura de uma linha de crédito de 300 milhões de euros com vista a apoiar exportações portuguesas para o mercado chinês e que envolverá a Caixa Geral de Depósitos e o Banco da China. A linha de crédito destina-se sobretudo a contribuir para importações chinesas de bens de equipamento portugueses. O primeiro-ministro português apelou entretanto à constituição de parcerias empresariais luso-chinesas, para que se opere em conjunto nos mercados dos países africanos de expressão portuguesa e no Brasil. O apelo do primeiro-ministro foi feito durante a abertura do Fórum de Cooperação Empresarial entre Portugal e China 2007 e na cerimónia de lançamento da Archway - uma empresa de direito chinês detida pela Portugal Telecom e por uma firma dependente do Ministério das Comunicações da China.
Mais do que uma ameaça, a China é, hoje, uma oportunidade de mercado para as empresas portuguesas com bons produtos, imagem de marca e agilidade. À excepção de alguns sectores-chave, já não é necessário estabelecer uma «joint-venture» para entrar no mercado chinês, mas encontrar um importador ou um parceiro que conheça bem o mercado e os canais de distribuição. Os chineses querem produtos competitivos e fazer dinheiro de uma forma rápida.
Com a Missão China o governo português pretende reforçar os laços económicos e políticos entre os dois países, promovendo igualmente o aumento das exportações nacionais e a captação de um maior volume de investimento chinês.

Fonte: "Agência Lusa"/"Jornal SOL", 1 de Fevereiro de 2007.

05 fevereiro 2007

China versus Índia

Ao investigar as causas do maior dinamismo da economia chinesa, cujo PIB cresceu 9,7% a.a. no período 1993-2004 versus apenas 6,5% a.a.na Índia, alguns analistas referem a maior rigidez do mercado de trabalho indiano e o menor aumento de produtividade, especialmente no sector industrial.

No entanto, as diferenças entre as fábricas serão menores do que entre os sistemas de distribuição de produtos indianos e chineses. Estes últimos beneficiam de uma forte rede de distribuição de “lojas chinesas” em praticamente todo o mundo, com o apoio logístico e o patrocínio dos órgãos oficiais chineses.

Se a Índia e outros países querem acompanhar o ritmo de crescimento da China, terão certamente de estudar e imitar a sua logística de distribuição e a sua capacidade comercial.

E a capacidade de marketing dos chineses não deve ser subestimada. Quando as primeiras vitórias da Selecção Portuguesa no EURO 2004 fizeram esgotar os stocks de bandeiras nacionais, foram as “lojas chinesas” que vieram acudir ao surto de nacionalismo provocado pelo Figo, o Cristiano Ronaldo e os outros craques de Scolari.

Mas algo se perdeu na tradução dos símbolos nacionais, e os castelos lusitanos passaram a ter um ar mais de pagodes...

Ver artigo The Economist, 27-Jan-07, pg 70

07 janeiro 2007

Marketing e o défice de produtividade

Um estudo do McKinsey Global Institute em 2003 concluiu que o défice de produtividade em Portugal era elevado (PIB€/hora de trabalho cerca de metade da média dos 5 melhores países europeus) mas que era em grande medida não estrutural.

Isto pode ser visto como uma conclusão optimista, pois mostra que depende de nós eliminar uma grande parte do problema com a aplicação de políticas económicas desenhadas para ultrapassar as 6 principais barreiras identificadas

1. Informalidade cultura de falta de rigor, profissionalismo e evasão fiscal
2. Regulamentação de mercados/produtos pouco concorrenciais
3. (Des) ordenamento do território e burocracia no licenciamento e outros processos
4. Prestação qualidade e preço de serviços públicos
5. Legislação laboral, rigidez e distorção do mercado de trabalho
6. Herança industrial de concentração em actividades de pequena escala, baixo valor acrescentado e pouca visibilidade junto do consumidor final

Curiosamente, fala-se pouco da falta de marketing, da fraca acção comercial, que contribui bastante para a falta de produtividade, que se pode considerar a 7ª barreira a ultrapassar com medidas e esforços concertados.

Para ver a importância do marketing, consideremos o simples exemplo de uma fábrica de sapatos, que produz 100 pares de sapatos mas consegue vender apenas 90 pares.

Para melhorar a produtividade, que pode o gerente fazer?
- Aumentar o ritmo de produção 110 pares de sapatos por hora, ou
- Aumentar o esforço de vendas para vender os 10 pares que tinham ficado na prateleira

Em contraste com as outras seis macro-barreiras na lista acima, esta 7ª barreira da falta de marketing distingue-se por ser muito mais micro, isto é, mais susceptível à acção do empresário individual ou da associação empresarial. Marketing, marketing, marketing !

E o que importa é mesmo o esforço inteligente a nível micro, que prometa resultados tangíveis a curto ou médio prazo.

Porque se tivermos que esperar pelo fim da evasão fiscal...

Produtividade em Espanha

06 janeiro 2007

Empresários espanhóis de olho no aeroporto de Beja

Os empresários espanhóis, com interesses próximos da raia, na Andaluzia e Estremadura, depositam confiança nas potencialidades de um aeroporto em Beja, estando convictos de que também eles vão ter as suas oportunidades. Os empresários portugueses por seu lado defendem que o sector agrícola assume-se como um dos principais utilizadores do futuro aeroporto, sendo indispensável para o desenvolvimento hortifrutícola da região e permitindo a internacionalização para novos mercados.
Estes alegam aínda que o futuro aeroporto só deverá ser rentável em 2015, começando as obras jé em 2007 e sendo prevista a conclusão em 2008, pois só nessa altura deverá ter um número aceitável de passageiros. Justificando que os projectos turísticos previstos para esta zona do país terão um papel preponderante no tráfego aéreo, mas só num horizonte de oito a dez anos, quando a capacidade hoteleira instalada atingir as 60 mil camas. A oferta prevista para o litoral alentejano é de 35 mil camas, com capacidade para receber mais de sete mil pessoas. Para além disso, com a existência de uma base aérea em Beja, situada a 170 quilómetros de Lisboa e a cem do Algarve, esta poderá ser utilizada como aeroporto comercial.

Sem dúvida que a localização é bastante favorável, tanto para os portugueses como para os espanhóis, que vêem neste investimento uma forma de captar mais turistas para a região, sobretudo de Londres, Paris e alguns países nórdicos. No caso espanhol, já exitem infra-estruturas montadas para receber os turistas, como é o caso da oferta de campos de golfe, turismo de aventura, desportivo e cultural na zona da fronteira, sendo mais vantajoso para estes ter um aeroporto a 100 Kms em Beja, em vez do actual de Sevilha que se encontra a 200 Kms. Se as acessibilidades aéreas e terrestres forem boas e a capacidade hoteleira adequada à procura, os turistas que visitam Espanha poderão ficar alojados em Beja e aproveitar a sua estadia para visitar Portugal, especialmente as zonas mais próximas como a barragem do Alqueva, o maior lago artificial da Eurpa e a costa alentejana.
De facto, toda toda a zona do Alentejo poderá afirmar-se finalmente como destino turístico de qualidade, oferecendo condições naturais e históricas que em nada diferem das que tornam poderosa a região de turismo da Extremadura espanhola, toda essa região passará a estar servida por um aeroporto internacional de grande qualidade. Também as low cost terão em Beja uma base operativa com condições económicas e técnicas muito favoráveis, que lhes permite cobrir, com os adequados interfaces com as estruturas rodo e ferroviárias, uma extensa região, a uma distância de voo de até pouco mais de duas horas de duração, com origem em qualquer das maiores cidades espanholas e do centro da Europa. Foi assim que o turismo residencial do Sul de França conheceu um boom fantástico na década de 90. O Alentejo e as regiões limítrofes terão, assim, a possibilidade de alcançar finalmente uma dimensão macroeconómica ajustada aos enormes atributos naturais e histórico-culturais que possuem.


Fonte: Jornal "Diário de Notícias", 27 de Dezembro de 2006.